quinta-feira, junho 9

Da memória e da intolerância

Fico eu aqui imaginando (sim, eu imagino muito, senhores) se o os machistas chilenos se lembram que seu país foi fundado por uma mulher, amasiada, sexualmente resolvida e casca grossa. Fico eu imaginando também se os puritanos americanos lembram-se que vieram da mesma ilha que produziu Black Sabbath, Beatles e Roling Stones. Se os adoradores da Persia antiga como forma de dizer, “ei! aqui no Irã nem sempre foi assim”, lembram-se da bela Sherazade e das histórias que contava pela metade para poder ganhar mais uma noite de vida.

Fico imaginando ainda você, sim, você meu senhor, que reza pela cartilha da lei de Gerson, fico imaginando se você se lembra que sua mãe lhe pariu, sujo e chorando, igualzinho a sua muito uniformizada e humilde copeira.

Depois tem gente que ainda se espanta com intolerância. É tudo uma questão de memória. E como sabemos, senhores, ela é deveras curta...

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