Supor o que dirá
A tua boca velada
É ouvi-lo já
É ouvi-lo melhor
Do que o dirias (...)
Fico pensando se fazer terapia não é meio como morrer em Antares. Você fica ali só rezando para acabar a greve dos coveiros. E enquanto ela não acaba, vai se dispondo ao escrutínio de um estranho. Que também morreu, alías. E porque é morto, assim como a Inez, que ninguém sabe de que morreu afinal, mas o é, fato, não tem nenhum pudor em cutucar as feridas alheias.
Mas por fim, vc que é morto também, ora merda, desalentado pelos coveiros que não se dispõe, passa a vasculhar a vida alheia (sua) revelando toda a podridão moral a que se submete um cristão.
Hoje eu salvei um filhote de passarinho. E fiquei feliz com isso! Há meses que não me importava com outras vidas que não a minha. Eu sei, é só um filhote de passarinho mas já é um começo...
Um filhote de canário para ser mais exata. A Dona Passarinha piava desesperada e o burrinho, digo passarinho, de bico aberto no meio da calçada. Peguei o bichinho com cuidado e coloquei no jardim. Cheio de formigas. Canibais. Não, melhor colocar no vaso para as formigas não acharem. No vaso de comigo-ninguém-pode. Não! Melhor colocar no corredor. Ali ninguém passa, a mãe dele acha e cuida do danado. Isso, ali não tem perigo.
No meio da tarde fui lá espiar o passarinho. Sumiu! As formigas comeram. Bom, não tão rápido... O sol! O sol fritou o coitadinho! Não, ele estava na sombra. E se ele saiu do lugar? Torrou! Sobrou só o pó! Não, a mãe estava por perto, deve ter levado. No bico?